A internet e seu poder de abalar uma marca

No final de 2016 uma situação corriqueira aconteceu na internet. Uma marca virou alvo de polêmica. Caso você não esteja por dentro do case Alezzia, sugiro ler esta matéria.

A situação é complicada. Poderíamos chegar a conclusão de que uma boa gestão de crises acabaria resolvendo esse problema. Mas há um pequeno detalhe que talvez os manuais de gestão de crise não lidem tão facilmente, devido a sua imprevisibilidade: a internet. Ela consegue transformar qualquer herói em vilão, consegue perturbar, incomodar, ajudar e atrapalhar. Levar uma empresa ao céu e ao inferno. Ou tudo isso ao mesmo tempo.

Deixando a sua opinião sobre movimentos sociais de lado, se coloque no lugar da Alezzia. O que você faria? Sua marca seria heroína ou vilã?

Em meu ponto de vista, a empresa começou errado. A exposição do corpo feminino em situações fora de contexto já vem causando impacto negativo há muito tempo, prova disso é que até mesmo as marcas de cervejas, gradativamente, deixaram de fazer uso da sensualidade feminina. A mulher na publicidade deixou de ser a referência de beleza. Sendo assim, da forma que foi feita a campanha, no caso da Alezzia, já era de se esperar que causaria polêmica. Difícil pensar que os gestores não sabiam disso. Mas após ter feito o que fez. Como a situação poderia ser revertida? Neste caso, um pedido de desculpas não adiantaria de nada, afinal, estamos falando de internet. A empresa poderia tentar se retratar de diversas maneiras que dificilmente sairia dessa situação. A decisão de impulsionar as avaliações positivas através da filantropia foi muito inteligente, apesar de terem anunciado de antemão qual seria a receptora das doações, o que acabou tornando a página da AACD o alvo das indignações. Talvez uma decisão mais acertada seria reverter a doação para alguma instituição focada em ONG’s de incentivo à luta feminina.

Mas no final das contas a internet é assim, “ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar vilão”. Afinal, uma hora ou outra, sua marca vai desagradar alguém.

 

 SOBRE O AUTOR
Graduado em produção publicitária, pós-graduando em administração e marketing, content manager da yard. agência de publicidade.